A Caricatura no Brasil
ORIGENS
No Brasil, essa arte foi introduzida pela produção de Manoel de Araújo Porto-Alegre e pelo aparecimento das primeiras caricaturas pernambucanas, possibilitando o alvorecer da nossa caricatura quase simultaneamente à febricitante imprensa ilustrada europeia nas décadas de 1820 e 1830.
No ano da independência do Brasil, em 1822, já havia uma imprensa nativista, e apareceu em Recife, Pernambuco, entre 25 de julho e 1º de outubro daquele ano o periódico O Maribondo, redigido por Manoel Paulo Quintela, apresentando no topo da página um horroroso corcunda — representando os portugueses — acossado por um enxame de maribondos — os brasileiros. Essa xilogravura de autoria anônima era uma charge, uma crítica política aos lusitanos e à situação colonial do país, que buscava sua independência. Incorporando o pioneirismo de O Maribondo ao patrimônio da história da nossa caricatura, constitui, consequentemente, a data do aparecimento de seu primeiro número, 25 de julho de 1822, o marco inicial, naturalmente, da caricatura no Brasil.
Por sua vez, a tradição periódica pernambucana, com xilogravuras apresentando motivos políticos e caricaturais, iniciada com o jornal O Maribondo, em 1822, teve em O Carcundão, de 1831, e O Carapuceiro, de 1832, sua continuidade.
Depois desses periódicos de origem regional, mas que tinham reflexo em todo o país, chegamos ao ano de 1837, quando a caricatura brasileira, através da produção de Manoel de Araújo Porto-Alegre, se estabelece como um marco inaugural definitivo, pois era a primeira vez que um artista aliava a charge e a caricatura de personalidades — o retrato caricatural — numa série de estampas, assumindo publicamente seu pioneirismo num texto que constitui a pedra fundamental e o marco oficial da caricatura no Brasil. A matéria sobre a publicação da série da “Caricatura”, charge A Campainha e o Cujo, com críticas alusivas ao jornalista Justiniano José da Rocha, foi exibida pelo Jornal do Commercio do Rio de Janeiro, n° 277, de 14 de dezembro de 1837, que traz a notícia de que “saiu à luz o primeiro número de uma NOVA INVENÇÃO ARTÍSTICA, gravada sobre magnífico papel representando uma admirável cena brasileira, e vendida pelo módico preço de 160 réis cada número, na loja de livros e gravuras de Mongie, Rua do Ouvidor n° 87. A bela invenção de caricaturas, tão apreciadas na Europa, apareceu hoje pela primeira vez no nosso país, e, sem dúvida, receberá do público aqueles sinais de estima que ele tributa às coisas úteis, necessárias e agradáveis.” Essas caricaturas foram litografadas na gráfica de Victor Larée e vendidas em pranchas separadas. Não traziam indicação de autoria, mas era inegável o estilo e a verve inconfundível do autor.
Hoje, depois dos esforços desses pioneiros, a tradição da caricatura brasileira tem sua qualidade reconhecida em nível internacional: uma tradição de caricaturistas que, desde o século XIX e no século XX, demonstraram sua distinção de par com os principais artistas de vanguarda em todo o mundo, nesse setor artístico.
No Brasil, essa arte foi introduzida pela produção de Manoel de Araújo Porto-Alegre e pelo aparecimento das primeiras caricaturas pernambucanas, possibilitando o alvorecer da nossa caricatura quase simultaneamente à febricitante imprensa ilustrada europeia nas décadas de 1820 e 1830.
No ano da independência do Brasil, em 1822, já havia uma imprensa nativista, e apareceu em Recife, Pernambuco, entre 25 de julho e 1º de outubro daquele ano o periódico O Maribondo, redigido por Manoel Paulo Quintela, apresentando no topo da página um horroroso corcunda — representando os portugueses — acossado por um enxame de maribondos — os brasileiros. Essa xilogravura de autoria anônima era uma charge, uma crítica política aos lusitanos e à situação colonial do país, que buscava sua independência. Incorporando o pioneirismo de O Maribondo ao patrimônio da história da nossa caricatura, constitui, consequentemente, a data do aparecimento de seu primeiro número, 25 de julho de 1822, o marco inicial, naturalmente, da caricatura no Brasil.
Por sua vez, a tradição periódica pernambucana, com xilogravuras apresentando motivos políticos e caricaturais, iniciada com o jornal O Maribondo, em 1822, teve em O Carcundão, de 1831, e O Carapuceiro, de 1832, sua continuidade.
Depois desses periódicos de origem regional, mas que tinham reflexo em todo o país, chegamos ao ano de 1837, quando a caricatura brasileira, através da produção de Manoel de Araújo Porto-Alegre, se estabelece como um marco inaugural definitivo, pois era a primeira vez que um artista aliava a charge e a caricatura de personalidades — o retrato caricatural — numa série de estampas, assumindo publicamente seu pioneirismo num texto que constitui a pedra fundamental e o marco oficial da caricatura no Brasil. A matéria sobre a publicação da série da “Caricatura”, charge A Campainha e o Cujo, com críticas alusivas ao jornalista Justiniano José da Rocha, foi exibida pelo Jornal do Commercio do Rio de Janeiro, n° 277, de 14 de dezembro de 1837, que traz a notícia de que “saiu à luz o primeiro número de uma NOVA INVENÇÃO ARTÍSTICA, gravada sobre magnífico papel representando uma admirável cena brasileira, e vendida pelo módico preço de 160 réis cada número, na loja de livros e gravuras de Mongie, Rua do Ouvidor n° 87. A bela invenção de caricaturas, tão apreciadas na Europa, apareceu hoje pela primeira vez no nosso país, e, sem dúvida, receberá do público aqueles sinais de estima que ele tributa às coisas úteis, necessárias e agradáveis.” Essas caricaturas foram litografadas na gráfica de Victor Larée e vendidas em pranchas separadas. Não traziam indicação de autoria, mas era inegável o estilo e a verve inconfundível do autor.
Hoje, depois dos esforços desses pioneiros, a tradição da caricatura brasileira tem sua qualidade reconhecida em nível internacional: uma tradição de caricaturistas que, desde o século XIX e no século XX, demonstraram sua distinção de par com os principais artistas de vanguarda em todo o mundo, nesse setor artístico.