Origens da Caricatura
A origem da caricatura remonta, segundo os historiadores, à arte egípcia, como atestam papiros do Museu de Turim e do Museu Britânico, podendo ser também encontrada na antiguidade, nas paródias chistosas dos vasos gregos, nos graffiti de Roma e de Pompeia, e na Idade Média. Álvaro Cotrim, um dos exegetas dessa linguagem, assinala: “Em sua evolução gráfica, o espírito satírico exigiu e dependeu de mais aguda observação: o traço atinge maiores limites, confundindo-se, porém, com as estritas regras do desenho tradicional. É a caricatura grotesca de Da Vinci, as faunescas cabeças de Miguelângelo, a acentuada desproporção das silhuetas de anões de cômicas cabeçorras de Jacques Callot ou, ainda, os tipos populares e ridículos de Bolonha, flagrados por Agostinho Carrache e gravados por Guillain.”
Da Idade Média ao Renascimento, existem prenúncios dessa arte em toda a Europa. Uma das mais antigas caricaturas é um documento em pergaminho datado de 1223, que retrata a figura de Isaac de Norwich, um judeu rico que era dono de imensas terras na Inglaterra. Outra caricatura é uma xilogravura alemã de 1510, que mostra um indivíduo com uma barriga tão inchada que tem que ser carregada com um carrinho de mão. No início do século XVII surgem caricaturas de inimigos externos, como aparece em uma gravura alemã de um guarda papal suíço. Na reforma Protestante, a caricatura foi usada como arma de ataque por reformadores e contra-reformadores. As caricaturas germânicas anti-Lutero aparecem com a mesma carga crítica: em um desenho de 1521, um diabo toca uma gaita de foles com a cabeça desse religioso.
Mas a palavra caricatura tem origem italiana. Os irmãos Carracci, que trabalhavam na Academia de Bolonha, fixam a simbologia do termo: caricare, que significa carregar, acentuar, exagerar, pequenos retratos carregados. Aniballe Carracci (1560-1609) foi o mais importante desta família de pintores. Após sua morte, uma coleção de gravuras de seus desenhos foi editada em 1646 por Mosini, no seu “Trattato”, onde a palavra caricatura está escrita. Outros artistas foram sucessores dessa tradição italiana: Pier Francesco Mola (1612-1666), de verve grotesca e espontânea; Gian Lorenzo Bernini (1598-1680), autor de caricaturas sintéticas; e Pier Leone Ghezzi (1674-1755), retratista caricatural e da aristocracia. William Hogarth e Thomas Rowlandson são dois clássicos do humor universal, confirmando o testemunho de Charles Baudelaire: “Em matéria de caricatura, os ingleses são radicais.” James Gillray foi outro grande satirista inglês, de cunho político. A Baudelaire, o mais penetrante crítico de arte de sua época, deve-se ainda o reconhecimento do lugar que ocupa essa arte, escrevendo em 1857: “Sem dúvida, uma história geral da caricatura, em todas as suas relações com os fatos políticos, religiosos, graves ou frívolos, relativos ao espírito nacional ou à moda e que agitaram a humanidade, será uma obra gloriosa e importante.”
Por sua vez, o surgimento dos semanários ilustrados, através da litografia, contribuiu para a popularidade da caricatura enquanto linguagem caracterizadora dos costumes sociais e políticos, permitindo grandes tiragens e deixando de ser um privilégio dos abastados. Embora já em 1815 conste na França a presença de um periódico inaugurador da tradição satírica naquele país, será o semanário La Caricature, fundado pelo desenhista Charles Philipon, em 1830, que terá um papel de grande destaque. Colaboraram neste hebdomanário os melhores caricaturistas franceses da época: Gavarni, Grandville, Henri Monnier, Traviès, além de Honoré Daumier, que deixou verdadeiras obras-primas no gênero. Le Charivari seria outro jornal lançado, em 1832, que circularia diariamente e que viria substituir La Caricature, abafado por uma censura impiedosa, em 1835. Punch, inglês, surgido em 1841, também marcaria presença.
Da Idade Média ao Renascimento, existem prenúncios dessa arte em toda a Europa. Uma das mais antigas caricaturas é um documento em pergaminho datado de 1223, que retrata a figura de Isaac de Norwich, um judeu rico que era dono de imensas terras na Inglaterra. Outra caricatura é uma xilogravura alemã de 1510, que mostra um indivíduo com uma barriga tão inchada que tem que ser carregada com um carrinho de mão. No início do século XVII surgem caricaturas de inimigos externos, como aparece em uma gravura alemã de um guarda papal suíço. Na reforma Protestante, a caricatura foi usada como arma de ataque por reformadores e contra-reformadores. As caricaturas germânicas anti-Lutero aparecem com a mesma carga crítica: em um desenho de 1521, um diabo toca uma gaita de foles com a cabeça desse religioso.
Mas a palavra caricatura tem origem italiana. Os irmãos Carracci, que trabalhavam na Academia de Bolonha, fixam a simbologia do termo: caricare, que significa carregar, acentuar, exagerar, pequenos retratos carregados. Aniballe Carracci (1560-1609) foi o mais importante desta família de pintores. Após sua morte, uma coleção de gravuras de seus desenhos foi editada em 1646 por Mosini, no seu “Trattato”, onde a palavra caricatura está escrita. Outros artistas foram sucessores dessa tradição italiana: Pier Francesco Mola (1612-1666), de verve grotesca e espontânea; Gian Lorenzo Bernini (1598-1680), autor de caricaturas sintéticas; e Pier Leone Ghezzi (1674-1755), retratista caricatural e da aristocracia. William Hogarth e Thomas Rowlandson são dois clássicos do humor universal, confirmando o testemunho de Charles Baudelaire: “Em matéria de caricatura, os ingleses são radicais.” James Gillray foi outro grande satirista inglês, de cunho político. A Baudelaire, o mais penetrante crítico de arte de sua época, deve-se ainda o reconhecimento do lugar que ocupa essa arte, escrevendo em 1857: “Sem dúvida, uma história geral da caricatura, em todas as suas relações com os fatos políticos, religiosos, graves ou frívolos, relativos ao espírito nacional ou à moda e que agitaram a humanidade, será uma obra gloriosa e importante.”
Por sua vez, o surgimento dos semanários ilustrados, através da litografia, contribuiu para a popularidade da caricatura enquanto linguagem caracterizadora dos costumes sociais e políticos, permitindo grandes tiragens e deixando de ser um privilégio dos abastados. Embora já em 1815 conste na França a presença de um periódico inaugurador da tradição satírica naquele país, será o semanário La Caricature, fundado pelo desenhista Charles Philipon, em 1830, que terá um papel de grande destaque. Colaboraram neste hebdomanário os melhores caricaturistas franceses da época: Gavarni, Grandville, Henri Monnier, Traviès, além de Honoré Daumier, que deixou verdadeiras obras-primas no gênero. Le Charivari seria outro jornal lançado, em 1832, que circularia diariamente e que viria substituir La Caricature, abafado por uma censura impiedosa, em 1835. Punch, inglês, surgido em 1841, também marcaria presença.